Desculpa, mas eu não consigo te odiar

Sabe o que é o pior? É que, por mais que eu tenha todos os motivos para isso, eu não consigo te odiar. Não consigo ver em você os ex que me foram abusivos, apesar de você também ter me machucado muito. Não consigo não contar as coisas boas que me acontecem. Não consigo te ignorar. Não consigo fazer o papel de desapegada, que desfila o ar de “dane-se”. Confesso que me faltam forças para essa função.

Eu sei, você deve me achar fraca por isso. Afinal, se você ainda fosse aquele que me dava conselhos sobre os caras da minha vida, com certeza, me diria: “esquece, é fria”. Eu não tenho dúvidas de que seja. Você é mais uma das impossibilidades, que, em hipótese alguma, se tornará possível. No entanto, eu não consigo me afastar. Não quando se refere a você.

Por aqui, talvez não viva mais nenhuma expectativa, mas há sim, uma pitada de confiança. Pela nossa amizade de antes, pela parceria e cumplicidade. Não se congela tais sentimentos de uma hora para outra. E olha, até que não é ruim me sentir assim, sabe. Eu nunca quis levar rancor da nossa história. Nunca quis lembrar de você com ódio e muito menos suscitar qualquer tipo de vingança. Não seria coerente com a gente.

Seria mais fácil, é claro, só me lembrar do quanto saí machucada. Diante de tantos sentimentos negativos, é inevitável que o tempo apague qualquer resquício de boas lembranças. Mas elas, as boas, voltam como num passe de mágica quando te vejo. E meu coração se enche de uma sensação gostosa, apesar de estar totalmente partido.

Lembrar de você me traz um misto de tristeza e paz. Tristeza por não ter tido o desfecho feliz que eu sonhava. E paz, por ter um coração livre de raiva ou rancor. Eu nunca quis te odiar. E mais, você nunca fez nada de propósito ou intencional para que fosse odiado. As circunstâncias contribuíram para que a gente se odiasse. Mas aí, nós decidimos o contrário. Seguimos cada qual o seu caminho. Em paz, sem ódio e limpando as lágrimas que surgem no percurso.

É inevitável não se sentir triste, mas é possível evitar o rancor. Por isso, continuo por aqui, dando um passo de cada vez.

Meu coração não é de mocinha. Leia aqui.

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9 Comentários

  1. Sendya says

    Eita! Isabela, obrigada por expôr em palavras o meu coração. Ele e eu já não nos entendemos mais, quase não consigo compreendê-lo e meio que desisti de tentar. Meu coração está confuso. Agradeço por suas palavras que são, ao mesmo tempo, tão minhas. <3

    1. Isabela Nicastro says

      Imagina, Sendya!
      Conte comigo sempre!
      Fico muito feliz em saber que meus textos te ajudam de alguma forma.
      Continue sempre por aqui <3
      Beijo grande!

  2. Patrícia says

    Sinto exatamente assim. Não consigo deixar de ter gratidão, apesar da dor.
    Sou também capricórniana.

    1. Isabela Nicastro says

      Patrícia, que bom saber que temos os mesmos sentimentos.
      Fico feliz que meus textos te ajudam de alguma forma.
      Continue sempre por aqui <3
      Beijo grande.

  3. Cláudia Goliver says

    Nooosssa amei o texto, estou vivendo isso, ate precisava ter raiva desprezo por um certo alguém, mais não consigo, querendo ou não ele me faz bem… praticar o perdão sempre nos faz um bem…! 😀 Parabéns.

    1. Isabela Nicastro says

      Sim, Cacau, a melhor saída é perdoar!
      A gente vive livre de rancor, não é?
      Continue sempre por aqui <3
      beijo grande!

  4. Tata says

    Poxa!!! Este texto traduz bem o que sinto pela minha ex. Apesar das dores que ambas causamos uma na outra não nós odiamos. É bom terminar uma relação é ver que realmente algo bom ficou mas, é triste para mim pois, parece que a história não acabou. Apenas deu uma pausa é em uma hora as coisas voltaram ao seu percurso.

    1. Isabela Nicastro says

      Sim, Tamira!
      É exatamente isso. Não há como odiar alguém que tanto amamos né?
      Que bom que vc gostou! Continue sempre por aqui <3

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