❓ 1. “Vocês querem proteger abusadores?”
Resposta curta: Não.
Resposta honesta: Quem usa essa pergunta como argumento geralmente não quer discutir o mérito da questão.
Reconhecer que existe alienação parental não significa negar violência doméstica real.
Significa admitir que:
- abuso físico existe;
- abuso psicológico também;
- e instrumentalização do sistema jurídico também.
Proteger vítimas reais nunca exigiu fingir que abusos do outro lado não acontecem.
❓ 2. “Mas a lei é usada por pais violentos para atacar mães.”
Pode acontecer? Sim.
Assim como:
- medidas protetivas podem ser usadas de forma estratégica;
- denúncias podem ser feitas em contexto de disputa;
- qualquer instrumento jurídico pode ser manipulado.
A pergunta madura é:
corrigimos distorções ou abolimos a ferramenta?
Revogar uma lei porque ela pode ser usada indevidamente é como extinguir o Código Penal porque há denúncias falsas.
❓ 3. “Alienação parental não existe. É invenção.”
Então expliquem:
- Por que tantas crianças repetem frases idênticas sobre o pai?
- Por que mudanças abruptas de comportamento coincidem com disputas judiciais?
- Por que visitas são sistematicamente sabotadas?
- Por que informações médicas e escolares são ocultadas?
Alienação não é diagnóstico psiquiátrico.
É comportamento observável.
Negar a existência não protege crianças.
Protege quem pratica.
❓ 4. “Mas a maioria das vítimas de violência são mulheres.”
Verdade estatística em muitos contextos.
Mas estatística não autoriza cegueira seletiva.
Se 90% dos casos são de um lado, isso não apaga os 10% do outro.
Justiça não funciona por maioria.
Quando um pai é injustamente afastado, o sofrimento não é menor porque estatisticamente ele pertence ao grupo menos frequente.
❓ 5. “A palavra da mulher deve ser suficiente.”
Para proteção emergencial?
Pode ser.
Para destruir vínculo parental sem contraditório?
Não deveria ser.
Medida protetiva é ferramenta urgente — não sentença definitiva.
O problema surge quando:
- a proteção provisória vira punição permanente;
- a suspeita vira condenação social;
- o afastamento vira ruptura irreversível.
Tempo é fator crítico na infância.
E o tempo não volta depois que o processo termina.
❓ 6. “Revogar a lei fortalece as mulheres.”
Revogar a lei fortalece quem detém o controle da convivência.
Hoje, majoritariamente, esse controle é materno.
Mas a pergunta que poucos fazem é:
👉 fortalecer o adulto significa proteger a criança?
Se o vínculo com um genitor é sabotado e o sistema cruza os braços, quem ganhou?
Certamente não foi a criança.
❓ 7. “Quem defende essa lei é antifeminista.”
Rótulo é a arma favorita de quem não quer debater mérito.
Defender a Lei de Alienação Parental não é defender homens contra mulheres.
É defender:
- convivência equilibrada;
- responsabilização simétrica;
- análise caso a caso.
Se igualdade só vale quando favorece um lado, não é igualdade.
❓ 8. “Mas falsas denúncias são raras.”
Raras segundo quem?
Não é o que agentes da própria Justiça vêm relatando.
Não é o que juízes de varas de família descrevem na prática diária. Ver sobre isso AQUI
E definitivamente não é o que pais atingidos por acusações frágeis experimentam.
👉 O que é raro não são as falsas denúncias.
👉 O que é raro é elas serem oficialmente reconhecidas como “falsas”.
Na maioria dos casos, o desfecho é:
- “falta de provas”;
- “insuficiência probatória”;
- arquivamento silencioso;
- processo que se arrasta até perder relevância.
O rótulo “falsa denúncia” quase nunca é aplicado formalmente — mesmo quando a acusação desmorona.
E enquanto o processo termina em silêncio burocrático, o dano já aconteceu:
- reputação destruída;
- afastamento imediato dos filhos;
- medida protetiva concedida;
- convivência interrompida.
Dizer que falsas denúncias são raras porque poucas terminam com esse carimbo formal é como dizer que não há incêndio porque o laudo final não usou a palavra “incêndio” — apenas “foco de calor não confirmado”.
❓ 9. “Vocês estão dizendo que mulheres manipulam.”
Não.
Estamos dizendo que pessoas manipulam.
Só que o debate público aceita facilmente:
- homem agressor;
- homem manipulador;
- homem violento.
Mas hesita em aceitar:
- mulher manipuladora;
- mulher abusiva psicologicamente;
- mulher instrumentalizando o sistema.
Essa assimetria não é proteção.
É tabu ideológico.
❓ 10. “Então qual é a solução?”
Não é revogar a lei.
É:
- aprimorar perícias técnicas;
- exigir mais rigor probatório;
- acelerar processos;
- punir falsas acusações comprovadas;
- responsabilizar alienação real.
O problema nunca foi reconhecer a alienação.
O problema é fingir que ela só acontece quando convém à narrativa.
Conclusão incômoda
Revogar a Lei de Alienação Parental pode soar progressista.
Pode soar protetivo.
Pode soar alinhado ao discurso dominante.
Mas, na prática, significa retirar do pai presente a única ferramenta jurídica específica que reconhece a violência psicológica contra vínculos parentais.
E quando o sistema decide não enxergar um tipo de abuso,
ele não elimina o abuso.
Ele apenas escolhe quem pode praticá-lo sem resistência.





