Há um discurso confortável ganhando força: o de que a Lei de Alienação Parental precisa acabar.
Confortável para quem nunca tentou ser pai à distância.
Confortável para quem nunca teve o filho usado como troféu de guerra.
Confortável para quem nunca foi transformado, da noite para o dia, em “agressor” sem julgamento, sem prova, sem defesa.
A verdade é simples e incômoda: a Lei de Alienação Parental é hoje uma das poucas — talvez a única — ferramentas legais às quais muitos pais ainda conseguem se agarrar para tentar fazer justiça. E é justamente por isso que querem derrubá-la.
Não é sobre gênero. É sobre poder.
É preciso dizer com todas as letras:
existem pessoas ruins de ambos os sexos.
Existem homens violentos, abusadores, irresponsáveis — e ninguém aqui está passando pano para isso. Mas também existem mulheres que usam os filhos como instrumento de vingança, controle e punição emocional após um relacionamento fracassado.
Na prática forense, o roteiro se repete:
- o relacionamento termina;
- a guarda — quase sempre — fica com a mãe;
- o pai vira visitante na própria paternidade;
- qualquer tentativa de aproximação vira “ameaça”, “perturbação”, “risco”.
A criança, no meio disso tudo, vira moeda de troca.
A alienação não é teoria. É rotina.
Não estamos falando de conceito acadêmico ou “síndrome inventada”.
Estamos falando de comportamentos concretos, observáveis, repetidos diariamente:
- convencer a criança de que o pai não a ama;
- dificultar ou impedir visitas;
- omitir informações escolares e médicas;
- criar medo, rejeição ou culpa na criança;
- usar o silêncio, a ausência e a mentira como forma de punição.
Tudo isso destrói vínculos. E tudo isso acontece, majoritariamente, quando um dos genitores detém o controle da convivência — o que, na maioria esmagadora dos casos, é a mãe.
Negar essa realidade não protege crianças. Protege abusos silenciosos.
Quando a lei vira atalho — e não exceção
Há um ponto que quase ninguém quer enfrentar:
o sistema jurídico oferece hoje mais armas para praticar alienação do que para combatê-la.
A principal delas atende por um nome conhecido: Lei Maria da Penha.
Não se trata de negar sua importância histórica ou a proteção de vítimas reais. Mas é impossível ignorar o efeito colateral:
👉 uma medida protetiva pode ser concedida apenas com base na palavra da mulher, sem contraditório prévio.
O resultado?
- o homem se torna abusador “da noite para o dia”;
- não pode se aproximar da mãe — que detém a guarda;
- não pode buscar o filho;
- não pode dialogar;
- não pode se defender no tempo real da acusação.
Na prática, a convivência com o filho é automaticamente interrompida.
E a criança aprende, por osmose, quem é o “vilão da história”.
Isso não é exceção. É estratégia em muitos conflitos familiares.
Revogar a lei não protege vítimas. Cria um vácuo.
A pergunta que ninguém responde é simples:
se a Lei de Alienação Parental for revogada, o que sobra para o pai que quer ser presente?
Resposta honesta: quase nada.
Sem essa lei:
- o Judiciário perde um instrumento para identificar manipulação psicológica;
- o pai passa a ser apenas “o adulto reclamando”;
- a criança continua sendo moldada em silêncio;
- o tempo passa — e tempo é irreversível na infância.
A alienação não deixa hematomas visíveis.
Ela deixa adultos quebrados, relações destruídas e pais que só percebem o que aconteceu quando já é tarde demais.
O problema não é a lei. É o uso seletivo da empatia.
O que precisa ser enfrentado não é a existência da Lei de Alienação Parental, mas a falta de equidade na aplicação da Justiça.
Hoje:
- quando a violência vem do homem, a reação é imediata e rígida;
- quando a violência parte da mulher, relativiza-se, justifica-se, “contextualiza-se”.
Esse duplo padrão não protege mulheres.
Não protege crianças.
E certamente não constrói justiça.
Defender a lei não é atacar mulheres. É defender vínculos.
Manter a Lei de Alienação Parental não é defender pai ausente, agressor ou irresponsável.
É defender o pai que:
- quer participar;
- quer conviver;
- quer amar;
- e esbarra em um sistema que o presume culpado antes de ouvi-lo.
Revogar essa lei é silenciar milhares de pais que já falam baixo demais dentro dos tribunais.
E, no final das contas, quem perde não é o homem.
É a criança que cresce acreditando em uma mentira conveniente para os adultos — e devastadora para ela.






