Esta publicação retrata a opinião do autor e não representa, necessariamente, o posicionamento do Sem Travas na Língua
É comum termos torcida, ou pelo menos acompanharmos jogos de times de menos expressão, se comparados aos gigantes do futebol brasileiro, quando estão enfrentado times maiores em fases importantes das competições. E, se não temos nenhuma afeição ao time maior, geralmente torcemos por uma "zebra", um resultado bom do time "menor" sobre o "maior".
Quero deixar claro que não pretendo ser desrespeitoso de nenhuma forma ao usar expressões como "time pequeno", ou "time menor" nesse texto, esses termos são usados para me referir a clubes de futebol com orçamentos, representação midiática e torcida menores em comparação aos times com valores maiores nesses quesitos.
Estive acompanhando as transmissões de futebol desta quinta-feira (16/06), o time para qual torço não estava envolvido, então me peguei torcendo para o Juventude em partida contra o Palmeiras e também acompanhei alguns lances do jogo da Copa do Brasil entre Flamengo e Coritiba. Como geralmente olho partidas do meu time, vejo tudo pelo viés dele, mas desta vez acompanhei uma partida pelo ponto de vista do time tido como menor. Foi espantoso!
No jogo Juventude x Palmeiras o primeiro tempo foi meio morno, sem grandes chances pra nenhum lado, mas logo no começo do segundo tempo as coisas começam a ficar meio estranhas. O Palmeiras abre o placar logo no início, com um gol contra de William Matheus, mas se repararem há uma carga nas costas do zagueira, que até argumenta com o arbitro da partida sobre isso, mas o VAR analisa o lance e o gol é validado.
Ok, analisar se a carga que o lateral sofreu foi o suficiente para ser considerada faltosa é questão de interpretação, até o comentarista de arbitragem da transmissão pela TV disse que na opinião dele o gol foi legal e aquele contato nas costas de William Matheus foi algo do jogo. Então, vendo pela perspectiva do Juventude, se pensa: "Paciência, o arbitro podia considerar, ou não, falta, ele não considerou, segue o jogo"
E o jogo seguiu, muitas faltas por parte do Palmeiras, algumas se quer marcadas, o Juventude deu uma desestabilizada e logo toma o segundo gol, neste tudo certo, nada de duvidoso a ser observado, mas temos que entender que sofrer um gol com o qual você não concorda com a validade mexe mesmo com o ânimo de um time. Porém, depois de o técnico do Juventude promover algumas substituições, o Juventude dá uma crescida no jogo.
Por volta dos 30 minutos do segundo tempo o time da Serra Gaúcha consegue fazer seu primeiro gol, mas tem seu gol anulado pelo arbitro, na verdade nem se pode considerar como um gol anulado, pois o arbitro apita antes da bola chegar as redes do time palmeirense, marcando uma falta que ninguém na transmissão da TV entendeu sobre quem ou o por quê, se especulou que tenha sido considerada uma falta de ataque sobre o goleiro do Palmeiras.
FALTA DE CRITÉRIO: Lembram-se que no primeiro gol palmeirense teria havido uma carga sobre o lateral do Juventude que o levou a fazer gol contra, mas que não foi considerada faltosa pela arbitragem? Pois bem, no lance do gol do Juventude há três jogadores do time de Caxias do Sul entre o goleiro e o jogador que faz o cabeceio para o gol, é fisicamente impossível para o goleiro alcançar a bola a "três corpos de distância". O goleiro força sua ida até a bola, e como existem três jogadores do Juventude entre ele e onde está a bola, ele não a alcança e há o contato entre o goleiro e os jogadores do Juventude no "meio do caminho". Nesse contato, PROVOCADO PELO GOLEIRO, é onde supostamente o arbitro marca falta. Como pedi para lembrarem, se fosse considerada alguma carga no goleiro palmeirense, no primeiro gol da partida a carga não é considerada faltosa, agora, estranhamente, é. Critério, nenhum! Ainda que, se for analisar o lance, o contato é provocado pelo próprio goleiro, mas enfim, vai ver o arbitro queria que os jogadores do Juventude, que já estavam naquele local naquele lance, descem licença para o goleiro poder alcançar a bola.
O mais espantoso é que nesse lance o arbitro APITA ANTES DA CONCLUSÃO DA JOGADA, fazendo com que o VAR não pudesse entrar em ação para analisar a validade do gol pois a jogada foi interrompida antes, ignorando os protocolos do VAR, ou seja, ele roubou o gol do "time menor" sem se quer dar chance de análise e uma possível validação do gol.
Se o lance fosse analisado pelo VAR provavelmente seria validado, pois não se observa nenhuma irregularidade, até o comentarista de arbitragem da transmissão da TV comenta que o gol foi legal e o arbitro errou.
Em entrevista pós-jogo o jogador do Juventude conta que perguntou ao arbitro qual falta ele marcou na jogada do gol e por que não esperou a conclusão da jogada para analise do VAR, já que havia possibilidade de gol e é isso que o protocolo recomenda para situações como essa, e o arbitro simplesmente não sabia responder.
Na opinião desse que vos escreve, o motivo para ele não ter resposta é porque ele não podia responder o óbvio para os jogadores do Juventude, que seria: "Eu quis anular o gol de vocês, eu roubei, calem a boca e se conformem".
Um gol naquele momento poderia incendiar a partida e dar forças para o time do sul tentar com mais afinco o empate, mas não ocorreu e o Juventude acabou por tomar mais um gol.
A IMPRENSA: Durante a transimissão de TV, houve até a analise desse gol anulado do Juventude, onde todos envolvidos concordaram que a arbitragem errou, mas não houve muito mais que isso e a locução e comentários seguiram com outros assuntos. Daí questiono, será que se fosse ao contrário, o "time grande" sofrendo com um erro em um lance capital, será que não passariam o resto da transmissão tocando nesse assunto, e programas esportivos não passariam, talvez, até horas falando disso? Talvez seja esse um dos motivos ser mais comum os árbitros "errarem" contra times menores, pois não há tanta repercussão.
Após o jogo Juventude x Palmeiras, ainda pensativo sobre como é comum os árbitros "errarem" contra times menores, fui assistir um programa esportivo que mostra os jogos da rodada e me deparo com um lance estarrecedor. Era no jogo entre Flamengo e Coritiba pela Copa do Brasil, um "pisão" no tornozelo de Dalberto, jogador do Coxa, dado por Vitinho, atacante do Flamengo, dentro da área, onde simplesmente NADA FOI MARCADO pela arbitragem. O apresentador do programa esportivo até brincou - "por um lance como esse o Rodinei foi expulso no Brasileirão passado".
É complicado para os times com orçamentos, representação midiática e torcida menor enfrentarem os campeonatos no Brasil de igual para igual, ou, pelo menos, com a certeza de mesmas chances de êxito e que receberão justiça, pois muitos árbitros tem medo de errar contra "time grande" e na dúvida, penaliza o "pequeno". Para piorar mais ainda a situação, erros contra times pequenos não trazem tanta repercussão nacional, se faz um comentário aqui, outro ali e logo se esquece como se nada tivesse acontecido.
Não quero partir para teorias da conspiração, mas outro ponto a se pensar é que com tantos sites de aposta esportiva hoje por aí, cada vez mais populares, alguns resultados podem ser interessantes para certos grupos de pessoas com dinheiro, tanto dinheiro que pode até impressionar certos árbitros. Mas isso é loucura, não é? Só que já ocorreu no passado...
Jeferson Santos | 17/06/2021 02:41
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