Esta publicação retrata a opinião do autor e não representa, necessariamente, o posicionamento do Sem Travas na Língua
A indignação contra o Presidente Jair Bolsonaro vem tomando conta de uma parcela cada vez maior da população, seus destemperos para com a imprensa e suas ações a frente do país no enfrentamento a pandemia de Covid-19 vem fazendo cada vez mais pessoas, que a principio preferiam ficar neutras, se manifestarem contra ele.
Bolsonaro acumula opositores não só, obviamente, na esquerda, mas alguns movimentos de direita e centro-direita também já se opõem ao Chefe do Executivo Federal.
Tendo em vista essa realidade, a reflexão que quero trazer é sobre o que queremos para o futuro do nosso país.
Descontentes com Bolsonaro, vamos querer o retorno do PT?
Bom, parece que a a grande mídia, representada pela Globo, já está articulando esse retorno petista ao poder, preparando seu público para isso. Já no ano passado em um de seus jornais, o "O Globo", um de seus colunistas aparece com uma matéria chamada "É hora de perdoar o PT", como se toda roubalheira e desestruturação do país causados pelo governo do PT fosse uma mera discussãozinha de futebol e que logo tudo pode ser esquecido.
Não podemos esquecer todo dano que o PT causou e o motivo pelo qual nos levantamos como nação para bradar a saída petista do poder. Temos que relembrar os dias em que se dizia "O Gigante Acordou", toda via, agora esse "Gigante" não pode sofrer de amnésia.
Para refrescar a memória:
Os mandatos de Lula, que muitos dizem que “nunca na história deste país” o Brasil foi tão próspero, iniciam num momento de prosperidade mundial, com a nação economicamente mais estável graças a herdada politica econômica de FHC. Devido ao bom momento da economia mundial, todos os países emergentes, entre eles o Brasil, começam a ter crescimento, e aí começa começa a desmanchar a narrativa de Lula, pois o Brasil não conseguiu se destacar entre esses países, ficou abaixo de muitos, provando que o crescimento não era devido ao governo petista, mas sim ao momento econômico mundial e a estabilidade herdada.
O que Lula fez com esse crescimento? Incentivou o crédito, os juros baixaram, o dinheiro circulou mais, então com mais dinheiro houve mais consumo, o que, por sua vez, aumentou a necessidade de produção, assim aumentado a oferta de emprego e, com isso, aumentando o poder de compra das classes mais baixas. Percebendo o crescimento econômico do país, Lula não assentou quaisquer bases para o futuro e apenas fez o mínimo para garantir que o PT continuasse no poder. Linhas de crédito para quem tem renda baixa foram implementadas e programas sociais expandidos, já na intenção de reeleição.
Lula se elege para o segundo mandato e continua surfando na boa fase da economia mundial, com algumas políticas econômicas que davam certo a curto prazo, o país crescia, mas o governo do PT não aproveitou essa bonança para modernizar a infraestrutura do Brasil, investir na indústria e tecnologia para qualificar e gerar novas vagas de emprego e assim pavimentar o futuro, então logo essa displicência cobraria seu preço.
Vem a crise mundial, o governo injeta dinheiro na economia de forma artificial, incentivando o crédito e pondo dinheiro na mão dos cidadãos através de programas sociais. Nesse ponto vários escândalos de corrupção já haviam estourado, mas Lula dizia não saber de nada. Para ludibriar a população, medidas populistas são tomadas para garantir a eleição da próxima governante petista.
Dilma é eleita e nesse primeiro mandato segue o mesmo molde de Lula, políticas de crescimento a curto prazo, mas sem nenhum plano para crescimento duradouro a longo prazo, politicas populistas, forte investimento em propagandas do governo e corrupção, com "Mensalão", "Mensalinho", "Petrolão" e por aí vai. Com tantos gastos extravagantes, desvios de verbas para manter um esquema de corrupção institucionalizado e dinheiro injetado artificialmente no país, a conta chega, o governo extrapola o teto de gastos e acumula dívidas nos bancos públicos. Mesmo nessa circunstância de calamidade, Dilma diz estar tudo bem, pois se aproxima outro período eleitoral.
Não obstante a situação financeira do país estar muito ruim, pensando em reeleição, Dilma congela o preço dos combustíveis, ordena redução do preço da energia elétrica e distribui dinheiro de programas sociais até para pessoas que não se enquadravam nos requisitos para receber os benefícios, tudo isso para comprar a população, e dá certo. Mas logo na primeira semana após a reeleição a população se vê traída, pois Dilma não poderia segurar os preços baixos artificialmente para sempre, então os preços da energia elétrica e combustíveis disparam. Devido a corrupção e interferência do governo na Petrobras, investidores perdem a confiança no Brasil. O desemprego sobe vertiginosamente, fazendo com que muitas famílias dependam exclusivamente de programas sociais, justamente quando o governo precisa urgentemente de corte de gastos.
Então, devido ao péssimo planejamento durante o período de crescimento, a economia do país diminui, o Brasil entra em recessão e bate um péssimo recorde, foram dois anos seguidos de PIB negativo em 3,5%, algo inédito.
Com escândalos de corrupção estampados em todos os jornais, a população se sentindo traída após disparada dos preços logo depois da reeleição e o desemprego aumentando severamente, as manifestações públicas, que já existiam desde 2013, tomam as ruas novamente, o "Gigante" acorda. Dilma já havia transgredido a lei de teto de gastos em muito, então com a pressão das ruas, o pedido de impeachment é aceito e cai a presidente petista.
Bom, esse foi um brevíssimo resumo de como decorreu a era do PT no poder.
Para dar uma explicação mais simples de como foi o PT governando o país, eu costumo propor a seguinte analogia:
Imagine um chefe de família que acabou de receber um aumento de salário, ele que administra as finanças da casa. A partir desse mês ele para de fazer o que vinha dando certo na administração financeira da família, começa a gastar com em bebedeiras, bares, festas (corrupção), e para seus filhos, ainda crianças, não perceberem e reclamarem, ele a cada semana lhes dá dinheiro, presentes e coisas assim. Em curto prazo parece que as coisas melhoraram mesmo, não é? Estão todos felizes, com dinheiro, se divertindo, gastando, "nunca antes na história" dessa família a vida esteve tão boa. Só que quando se passa mais um tempo se percebe que todo esse dinheiro que o chefe de família estava usando para aquelas coisas estava aparecendo por ele não pagar mais as contas, não pagou a energia elétrica, a água, condomínio e começaram a vir os cortes, falta de luz e assim por diante. Mesmo o aumento de receita, narrado no início da história, não será suficiente para consertar a situação, agora todos sofrem. Mas percebam, para as crianças, que não tem entendimento sobre as finanças da família, o maior desejo é que volte o mais rápido possível aquela fase onde recebiam presentes e dinheiro a todo momento, sem entender que se a família se recuperar e aquela fase voltar, adiante o sofrimento é certo novamente.
Ok, não quero o PT de volta, mas sou contra Bolsonaro, será que devo me unir a essas manifestações que tem ocorrido?
Todos somos livres para participarmos de atos como esse, mas para quem não compactua com a esquerda, não creio ser uma boa ideia, pois muito provavelmente esses atos em algum momento serão usados para mostrar a força da esquerda, vão encontrar eco nas grandes mídias e por fim, vão ser usados politicamente para uma nova eleição de Lula.
Além do mais, nesse período onde o risco de contaminação por Covid-19 ainda está alto em nosso país, não convêm se unir nesse tipo de aglomeração. Acaba sendo até hipocrisia e incoerência da esquerda insistir nesse tipo de ato nesse momento, pois eles são os primeiros a atacar Bolsonaro por não seguir as recomendações quanto a aglomerações, mas quando são eles que promovem a aglomeração, aí não tem problema, inclusive, nem a mídia se aprofunda muito em notar essas enormes aglomerações em plena pandemia. Escrevi sobre essa hipocrisia aqui, em Aglomerações matam, fique em casa! A não ser que seja para dizer "Fora Bolsonaro", daí pode.
Acho que para quem não apoia Bolsonaro, percebe que a esquerda não pode estar no poder e não quer saber de Lula, ou PT. Resta apoiar algum movimento que ofereça uma terceira via.
Jeferson Santos | 23/06/2021 13:12
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