Esta publicação retrata a opinião do autor e não representa, necessariamente, o posicionamento do Sem Travas na Língua
Um dos assuntos mais comentados do dia tem sido o destempero de Jair Bolsonaro ao tratar com a repórter Laurene Santos, da TV Vanguarda, afiliada da rede Globo.
Bolsonaro mandou a repórter calar a boca e xingou a Globo, como pode ser visto na matéria "Essa Globo é uma M**** de imprensa..." diz Bolsonaro para repórter da Globo. Obviamente, pouco tempo depois uma série de mensagens de apoio a Laurene e reprovação a Bolsonaro invadiram a Internet, sobretudo no Twitter, algumas podem ser vistas aqui, em Repercussão após Bolsonaro xingar a Globo e mandar repórter calar a boca. Órgãos de imprensa e até Luciano Huck se manifestaram sobre a situação.
Não estou aqui para "passar pano" para Bolsonaro, acho ridículo o Presidente de uma nação estar envolvido em discussões desse nível, com xingamentos, ataques e ofensas. Essas situações acabam sendo ruins para reputação do Presidente, que com certeza pensa em uma reeleição e deveria se preocupar mais em controlar sua língua. Dito isso, já é claro que tenho sérias restrições para com a esquerda, o que pode ser percebido no último artigo que escrevi, Aglomerações matam, fique em casa! A não ser que seja para dizer "Fora Bolsonaro", daí pode, onde faço críticas a incoerência da imprensa, majoritariamente com cosmovisão esquerdista, que "bate pesado" em Bolsonaro e apoiadores por conta do descumprimento de orientações sobre máscara e aglomerações, mas exalta e aprova a grande aglomeração de pessoas ocorrida nas manifestações contra Bolsonaro. Hipocrisia?
Nesta segunda-feira (21/06), em um ataque de fúria, Bolsonaro disse para uma mulher calar a boca, sobre a repercussão desse ponto quero me deter.
O apresentador Luciano Huck após apresentar sua solidariedade a Laurene, diz: "Rodeado de bajuladores, o presidente se sentiu à vontade pra humilhar uma mulher que apenas cumpria seu dever profissional de informar. Covardia total"
Que muitos jornalistas, colunistas e grande parte dos artistas gostam de distorcer os fatos, forçar interpretações para chegar a conclusões mentirosas, com isso já estamos acostumados, agora, eu sempre via em Luciano uma pessoa mais centrada, pelo visto, um engano.
No episódio em questão, pode-se dizer muita coisa sobre o descontrole de Bolsonaro, mas querer enfiar machismo "goela abaixo", para forçar uma narrativa de vitimização feminina, é apelar demais. Antes de disparar xingamentos contra a Globo, antes mesmo de dizer o comentado "cala a boca" para a repórter, ele já havia mandado sua própria equipe calar a boca, por causa de um burburinho que estava tendo entre eles, equipe essa formada por homens e mulheres. Se o argumento era de que Bolsonaro só falou "cala a boca" por se tratar de uma repórter mulher, o argumento já naufraga aí.
Qualquer um que tenha mínima capacidade de discernimento, ao assistir o ocorrido, perceberia que o ataque não tem nenhuma base em gênero, mas sim em uma irritação com a pergunta feita pela repórter e seguramente tal episódio também teria acontecido se fosse um homem na situação.
E sejamos honestos com o fato, o "cala a boca" não foi num momento de impedir que a repórter falasse, e sim após ela já ter feito sua pergunta e querer usar uma artimanha muito conhecida, de não deixar o interlocutor concluir seu raciocínio para que nenhuma resposta dada por ele seja completa e tenha sentido. A repórter "esperta", vendo que Bolsonaro ficou atordoado com sua pergunta, tentou emplacar uma série de outros questionamentos para construir aquela cena clássica onde o/a repórter faz uma série de perguntas e o entrevistado fica parecendo não ter respostas, isso só não ocorreu porque o Presidente se impôs e não permitiu.
Luciano Huck ainda conclui dizendo "Covardia total". Uma vez que já está sendo ele próprio, de certa forma, covarde, em, de maneira oportunista, trazer a questão para esfera do machismo, mesmo que sobre qualquer análise superficial já seria possível perceber que machismo não é o ponto dessa situação e Luciano, uma pessoa com estudo, com certeza conseguiria distinguir isso, certo de que tal acusação nunca terá uma réplica, ele se enche de "coragem" no Twittter para falar de "humilhar uma mulher" e termina falando em covardia.
Covardia é transformar uma situação em coisa que ela não é para amentar o apelo popular. Uma arma rasteira, coisa de gentinha covarde. E ainda, pelo que se pode conhecer de Bolsonaro por suas manifestações públicas, é perfeitamente possível imaginar que em uma situação de embate mais acalorado de idéias entre Luciano e Bolsonaro, o Presidente muito provavelmente pudesse ter a mesma atitude com o apresentador, e poderíamos então apostar sobre quem se calaria. Quem você acha que seria? Nesse caso veríamos quem é o covarde.
Cadê o empoderamento feminino?
Outro ponto comum a se notar nessa narrativa vitimista que a esquerda sempre tenta trazer, é o quanto alguns tentaram levantar o ponto de ser uma mulher na situação, ouvindo aqueles insultos, mesmo que os mais pesados tenham sido direcionados a Globo e não a repórter em si. A mulher humilhada, pobrezinha, sem conseguir se defender, totalmente vítima e indefesa.
Tentando transformar a situação em uma ofensa contra uma parcela da sociedade, um colunista do UOL dá esse título a sua coluna:
"Em chilique, Bolsonaro reforça preferência por atacar mulheres jornalistas"
Isso até lembra a briga de Camila de Lucas e Carol Conká no BBB21, onde acuada pelo crescente de Camila na discussão, Carol tenta trazer a questão para o lado de serem duas mulheres negras e levar o assunto para o âmbito racial, uma clara tentativa de distorcer a situação. Aqui eles querem inferir que o lamentável ocorrido não é pela pergunta da repórter ter irritado Bolsonaro, mas sim por ser uma mulher, e tal Carol Conká tentando transformar sua discussão com Camila em uma questão racial, eles tentam transformar esse descontrole de Bolsonaro em uma questão de machismo.
Creio que para qualquer um que olhe para a situação focado em ver fatos, perceberá que a questão não foi ser uma mulher a perguntar, mas a pergunta. Algo que Bolsonaro achou inoportuno, visto que ele falava sobre o repasse de verbas federais para a Santa Casa de Misericórdia de Guaratinguetá e a repórter veio perguntar sobre o Presidente usar máscara, o que dá a impressão que a motivação do questionamento era deixar Bolsonaro desconfortável (conseguiu).
Mas cadê o empoderamento feminino? Voltando ao twitter de Luciano Huck, ele dá entender que a repórter era uma completa incapaz de se defender, ele escreve: "o presidente se sentiu à vontade pra humilhar uma mulher". E aí, uma mulher moderna, feminista, empoderada, se deixa humilhar? Precisa de um homem para defende-la? Precisa de Twitter de homem para expor sua "humilhação" e então mostrar a "covardia" de outro homem que "pegou pesado" com ela? Por isso esse nobre herói, por de traz de sua armadura, nesse caso o Twitter, dispara, chamando o outro homem de covarde e a mulher indefesa se sente lisonjeada?
Penso que Bolsonaro possa ter sido várias coisas nesse ataque de fúria, mas não machista. Se machismo fosso o caso ele poderia agir de outras formas, como se irritar, mas acabar não dando resposta a pergunta por se tratar de uma mulher a perguntar e menospreza-la por isso. O fato de a resposta ser tão veemente, independente do gênero, mostra um tratamento igual, horrível, desnecessário, mas igual, sem "dar uma colher de chá", sem "dar um desconto", sem ser mais brando só por que era uma mulher.
Mais uma vez ressalto, não "passo pano" para Bolsonaro, essas brigas com repórteres e muitas falas dele são totalmente desnecessárias (seus apoiadores parecem gostar), mas me enoja o jeito com que a militância de esquerda sempre tenta distorcer as situações para manipular de forma enganosa a população.
Esse patrulhamento da esquerda é totalmente desbalanceado e incoerente, pois só pesa para o lado de opositores, lembram-se de quando Lula chamou as feministas de seu partido de "mulheres de grelo duro", agora imaginem o apocalipse que seria nas redes sociais e imprensa se Bolsonaro se referisse a feministas com um termo como esse?
Para concluir, saliento que a elite pensante da esquerda não se preocupa verdadeiramente se é uma mulher nesse tipo de situação, a única coisa que importa é ser alguém de um grupo, como definem eles, historicamente oprimido, para então poderem usar seus discursos de opressão para manipular o povo. Nesse caso é uma mulher, então a pauta é machismo, se fosse um homossexual, então o tema seria homofobia, e se fosse uma pessoa negra, estaríamos vendo manchetes em todo país estampando o racismo.
Jeferson Santos | 22/06/2021 03:02
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